Sermão do Nascimento da Mãe de DeusPadre António Vieira"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?Vede o para que nasceu.Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...)
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz,dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus."
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Festa do Nascimento da Mãe de Deus
Sermão do Nascimento da Mãe de DeusPadre António Vieira"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?Vede o para que nasceu.Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...)
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz,dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus."
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz,dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus."
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Palavra do Sacerdote - Matrimonio
Pergunta — Sou de família católica, e minha intenção sempre foi casar-me na Igreja. Mas todas as minhas amigas já estão separadas, em geral depois do primeiro filho. No civil, o casamento pode ser desfeito pelo divórcio, de maneira cada vez mais fácil. Mas na Igreja, só com um processo de anulação(*) complicado, caro e, segundo me dizem, desagradável. Como pode a Igreja não flexibilizar suas posições diante da situação concreta do mundo atual? Eu quero estar bem com Deus e com a Igreja, mas não acho justo correr o risco de ser abandonada depois do primeiro filho e não poder casar-me de novo. Então parece melhor juntar-me durante algum tempo e só casar depois que der certo. Se der…
Resposta — A descrição que a missivista faz do mundo moderno corresponde, em grande parte, à realidade. E nos lugares onde não se está inteiramente assim, caminha-se a passos rápidos para lá. A perplexidade dessa jovem é até mesmo compreensível, embora não se possa absolutamente aprovar a solução que propõe.
De qualquer modo, sua manifestação de querer “estar bem com Deus e com a Igreja” indica uma boa disposição de fundo de alma, pelo que merece ser especialmente ajudada. É o que procuraremos fazer.
Uma civilização que se afastou de Deus
O mundo moderno tornou-se um organismo doente, precisamente porque se afastou de Deus e da Santa Igreja. A questão é saber se tem cura, se tal cura se daria pelos processos normais.
A resposta é bem definida: cura tem que haver, porque do contrário seria preciso admitir que as portas do inferno prevaleceram definitivamente sobre a Igreja, o que se opõe à promessa formal de Nosso Senhor, quando constituiu São Pedro chefe da Igreja: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
Durante um período mais ou menos longo, as forças do mal podem sobrepujar as forças do bem, conforme se vê hoje em dia. Mas o que não pode acontecer é que essa vitória seja definitiva. O Divino Espírito Santo está continuamente atuando nos corações dos homens a fim de reconduzi-los para as vias do bem.
Entretanto, se essas graças habituais não encontrarem correspondência por parte da humanidade, Deus poderá usar processos extraordinários. Como ocorre com o organismo humano: quando os remédios normais não funcionam, é preciso recorrer a uma cirurgia, ou a outros métodos mais ou menos “invasivos” (segundo a terminologia médica, sóbria mas muito expressiva).
É muito de recear que este seja o caso, porque a humanidade atingiu grau tão intenso de obstinação no mal, que sem uma forte sacudida da Providência não tem mais conserto… Essa sacudida seria um castigo de proporções mundiais, do qual falam diversas revelações privadas, com a de Fátima à frente e acima de todas.
Mas nossa jovem consulente não pode esperar até que Deus intervenha. Ela tem que conduzir sua vida para a frente, tanto mais que ninguém sabe quanto tempo transcorrerá até que se dê essa intervenção extraordinária. O que fazer até lá?
As virgens prudentes e as virgens fátuas
Nos Evangelhos destaca-se a parábola das dez virgens convidadas para uma festa nupcial. Dela se serviu Nosso Senhor para nos indicar que devemos estar constantemente preparados para a sua vinda, porque não sabemos o dia nem a hora:
“Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. Mas cinco delas eram fátuas [isto é, tolas, sem tino, imprevidentes], e cinco prudentes. Ora, as cinco fátuas, tomando as lâmpadas, não levaram óleo consigo; as prudentes, porém, juntamente com as lâmpadas, levaram óleo em seus vasos. E, tardando o esposo, começaram todas a ter sono e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis que vem o esposo, saí ao seu encontro. Então levantaram-se todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as fátuas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Responderam as prudentes, dizendo: Para que não aconteça de faltar óleo a nós e a vós, ide antes aos vendedores e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para celebrar as bodas, e foi fechada a porta. Mais tarde chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos! Mas ele, respondendo, disse: Na verdade vos digo que não vos conheço. — Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25, 1-13).
Segundo os intérpretes da Sagrada Escritura, estar com a lâmpada acesa significa estar na graça de Deus no momento em que formos chamados para comparecer diante d’Ele. E os vasos de óleo de reserva, bem como o largo período de espera, indicam que ao longo da vida devemos nos preparar para esse dia, sobretudo com oração contínua e generosa penitência.
O que é estar na graça de Deus
Estar na graça de Deus supõe andar na linha de seus Dez Mandamentos. No caso concreto que estamos analisando, está particularmente em foco o sexto Mandamento da Lei de Deus, o qual só permite a coabitação do homem e da mulher legitimamente unidos pelo sacramento do Matrimônio. Sendo um dos mandamentos do Decálogo, à Igreja cumpre zelar pela sua observância, e não derrogá-lo ou sequer “flexibilizá-lo”, quaisquer que sejam as vicissitudes dos tempos. Nem o Papa pode fazê-lo.
Por isso, a solução aventada pela jovem consulente — de coabitação a título experimental — não pode ser aceita, por ser gravemente pecaminosa.
Que fazer, então, para evitar o risco de um casamento frustrado pelo desentendimento do casal?
Conspiração do mundo moderno contra a moral
A parábola das dez virgens ressalta a importância da preparação ao longo da vida para o momento supremo da chegada de Jesus Cristo. Este princípio se aplica também à preparação para o casamento, para que ele seja do agrado de Deus e por Ele abençoado.
É preciso reconhecer que os jovens de nossos dias são induzidos por grande número de instituições do mundo moderno num sentido contrário aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Nesta matéria, é particularmente espantoso o que se propõe aos jovens nas novelas da TV. Não há comportamento imoral que não seja exaltado, não há comportamento virtuoso que não seja ridicularizado. Daí, por exemplo, o aumento vertiginoso de gravidezes de meninas de quinze anos, e até de onze anos!
E não só os meios de comunicação social estão empenhados em promover essa depravação. Até nas escolas a chamada educação sexual é orientada nesse sentido, a ponto de promover-se a distribuição gratuita de preservativos por organismos oficiais.
Nestas condições, como esperar que os casamentos dêem certo?
Os jovens que queiram ser fiéis aos princípios da Religião católica têm que ter a coragem heróica de enfrentar, e até mesmo romper com esse ambiente hostil. Mais do que tudo com a roda de amigos, em que “fica feio” não ser como os outros. Repudiar qualquer pusilanimidade e covardia.
Não é nas baladas que se encontra marido fiel
Sejamos bem concretos. Se o jovem ou a jovem se deixam arrastar pelo grupo de amigos — pela “galera”, como dizem — e vai a excursões, “baladas”, etc., não é aí que encontrará o marido ou a esposa que lhe seja fiel. O mais provável é exatamente que o casamento não dure um ano, quiçá nem mesmo o tempo para nascer o primeiro filho!
Diante desta situação, não cabe pleitear que a Igreja “flexibilize” suas leis para aceitar a coabitação pré-matrimonial, o divórcio, o recasamento, etc. Mesmo porque o final do caminho dessa “flexibilização” seria a aceitação do amor livre, há muito tempo preconizado pelas escolas freudianas, marxistas e anarquistas, todas elas atéias. A Santa Igreja não vacilou diante da perda de toda a Inglaterra, ao contrariar essas mesmas pretensões de Henrique VIII. Surgiu um São Tomás Morus.
A jovem missivista não se iluda: a felicidade não se encontra em dar vazão a todos os reclamos dos sentidos, mas na ascese, isto é, no refreamento dos instintos desordenados que deixou em nossa alma o pecado original, herdado de Adão e Eva, que desobedeceram a Deus nos primórdios do gênero humano.
Assim fazendo, e recorrendo a Deus em suas orações — por meio de Nossa Senhora, nossa Mãe amorosíssima, como recomenda a Igreja —, pode estar certa de que seus pedidos serão ouvidos e encontrará um esposo que lhe seja fiel por toda a vida.
E se quiser dar um sentido ainda mais elevado à sua vida, una-se à ação de outros jovens que resistem à avalanche pagã e infernal do mundo moderno, para reconduzi-lo às vias benditas da Civilização Cristã, onde os princípios de Nosso Senhor Jesus Cristo não precisam ser “flexibilizados”; antes, pelo contrário, aí eles são seguidos com todo o rigor e com todo o amor.
Revista Catolicismo - Setembro/2008
Resposta — A descrição que a missivista faz do mundo moderno corresponde, em grande parte, à realidade. E nos lugares onde não se está inteiramente assim, caminha-se a passos rápidos para lá. A perplexidade dessa jovem é até mesmo compreensível, embora não se possa absolutamente aprovar a solução que propõe.
De qualquer modo, sua manifestação de querer “estar bem com Deus e com a Igreja” indica uma boa disposição de fundo de alma, pelo que merece ser especialmente ajudada. É o que procuraremos fazer.
Uma civilização que se afastou de Deus
O mundo moderno tornou-se um organismo doente, precisamente porque se afastou de Deus e da Santa Igreja. A questão é saber se tem cura, se tal cura se daria pelos processos normais.
A resposta é bem definida: cura tem que haver, porque do contrário seria preciso admitir que as portas do inferno prevaleceram definitivamente sobre a Igreja, o que se opõe à promessa formal de Nosso Senhor, quando constituiu São Pedro chefe da Igreja: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
Durante um período mais ou menos longo, as forças do mal podem sobrepujar as forças do bem, conforme se vê hoje em dia. Mas o que não pode acontecer é que essa vitória seja definitiva. O Divino Espírito Santo está continuamente atuando nos corações dos homens a fim de reconduzi-los para as vias do bem.
Entretanto, se essas graças habituais não encontrarem correspondência por parte da humanidade, Deus poderá usar processos extraordinários. Como ocorre com o organismo humano: quando os remédios normais não funcionam, é preciso recorrer a uma cirurgia, ou a outros métodos mais ou menos “invasivos” (segundo a terminologia médica, sóbria mas muito expressiva).
É muito de recear que este seja o caso, porque a humanidade atingiu grau tão intenso de obstinação no mal, que sem uma forte sacudida da Providência não tem mais conserto… Essa sacudida seria um castigo de proporções mundiais, do qual falam diversas revelações privadas, com a de Fátima à frente e acima de todas.
Mas nossa jovem consulente não pode esperar até que Deus intervenha. Ela tem que conduzir sua vida para a frente, tanto mais que ninguém sabe quanto tempo transcorrerá até que se dê essa intervenção extraordinária. O que fazer até lá?
As virgens prudentes e as virgens fátuas
Nos Evangelhos destaca-se a parábola das dez virgens convidadas para uma festa nupcial. Dela se serviu Nosso Senhor para nos indicar que devemos estar constantemente preparados para a sua vinda, porque não sabemos o dia nem a hora:
“Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. Mas cinco delas eram fátuas [isto é, tolas, sem tino, imprevidentes], e cinco prudentes. Ora, as cinco fátuas, tomando as lâmpadas, não levaram óleo consigo; as prudentes, porém, juntamente com as lâmpadas, levaram óleo em seus vasos. E, tardando o esposo, começaram todas a ter sono e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis que vem o esposo, saí ao seu encontro. Então levantaram-se todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as fátuas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Responderam as prudentes, dizendo: Para que não aconteça de faltar óleo a nós e a vós, ide antes aos vendedores e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para celebrar as bodas, e foi fechada a porta. Mais tarde chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos! Mas ele, respondendo, disse: Na verdade vos digo que não vos conheço. — Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25, 1-13).
Segundo os intérpretes da Sagrada Escritura, estar com a lâmpada acesa significa estar na graça de Deus no momento em que formos chamados para comparecer diante d’Ele. E os vasos de óleo de reserva, bem como o largo período de espera, indicam que ao longo da vida devemos nos preparar para esse dia, sobretudo com oração contínua e generosa penitência.
O que é estar na graça de Deus
Estar na graça de Deus supõe andar na linha de seus Dez Mandamentos. No caso concreto que estamos analisando, está particularmente em foco o sexto Mandamento da Lei de Deus, o qual só permite a coabitação do homem e da mulher legitimamente unidos pelo sacramento do Matrimônio. Sendo um dos mandamentos do Decálogo, à Igreja cumpre zelar pela sua observância, e não derrogá-lo ou sequer “flexibilizá-lo”, quaisquer que sejam as vicissitudes dos tempos. Nem o Papa pode fazê-lo.
Por isso, a solução aventada pela jovem consulente — de coabitação a título experimental — não pode ser aceita, por ser gravemente pecaminosa.
Que fazer, então, para evitar o risco de um casamento frustrado pelo desentendimento do casal?
Conspiração do mundo moderno contra a moral
A parábola das dez virgens ressalta a importância da preparação ao longo da vida para o momento supremo da chegada de Jesus Cristo. Este princípio se aplica também à preparação para o casamento, para que ele seja do agrado de Deus e por Ele abençoado.
É preciso reconhecer que os jovens de nossos dias são induzidos por grande número de instituições do mundo moderno num sentido contrário aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Nesta matéria, é particularmente espantoso o que se propõe aos jovens nas novelas da TV. Não há comportamento imoral que não seja exaltado, não há comportamento virtuoso que não seja ridicularizado. Daí, por exemplo, o aumento vertiginoso de gravidezes de meninas de quinze anos, e até de onze anos!
E não só os meios de comunicação social estão empenhados em promover essa depravação. Até nas escolas a chamada educação sexual é orientada nesse sentido, a ponto de promover-se a distribuição gratuita de preservativos por organismos oficiais.
Nestas condições, como esperar que os casamentos dêem certo?
Os jovens que queiram ser fiéis aos princípios da Religião católica têm que ter a coragem heróica de enfrentar, e até mesmo romper com esse ambiente hostil. Mais do que tudo com a roda de amigos, em que “fica feio” não ser como os outros. Repudiar qualquer pusilanimidade e covardia.
Não é nas baladas que se encontra marido fiel
Sejamos bem concretos. Se o jovem ou a jovem se deixam arrastar pelo grupo de amigos — pela “galera”, como dizem — e vai a excursões, “baladas”, etc., não é aí que encontrará o marido ou a esposa que lhe seja fiel. O mais provável é exatamente que o casamento não dure um ano, quiçá nem mesmo o tempo para nascer o primeiro filho!
Diante desta situação, não cabe pleitear que a Igreja “flexibilize” suas leis para aceitar a coabitação pré-matrimonial, o divórcio, o recasamento, etc. Mesmo porque o final do caminho dessa “flexibilização” seria a aceitação do amor livre, há muito tempo preconizado pelas escolas freudianas, marxistas e anarquistas, todas elas atéias. A Santa Igreja não vacilou diante da perda de toda a Inglaterra, ao contrariar essas mesmas pretensões de Henrique VIII. Surgiu um São Tomás Morus.
A jovem missivista não se iluda: a felicidade não se encontra em dar vazão a todos os reclamos dos sentidos, mas na ascese, isto é, no refreamento dos instintos desordenados que deixou em nossa alma o pecado original, herdado de Adão e Eva, que desobedeceram a Deus nos primórdios do gênero humano.
Assim fazendo, e recorrendo a Deus em suas orações — por meio de Nossa Senhora, nossa Mãe amorosíssima, como recomenda a Igreja —, pode estar certa de que seus pedidos serão ouvidos e encontrará um esposo que lhe seja fiel por toda a vida.
E se quiser dar um sentido ainda mais elevado à sua vida, una-se à ação de outros jovens que resistem à avalanche pagã e infernal do mundo moderno, para reconduzi-lo às vias benditas da Civilização Cristã, onde os princípios de Nosso Senhor Jesus Cristo não precisam ser “flexibilizados”; antes, pelo contrário, aí eles são seguidos com todo o rigor e com todo o amor.
Revista Catolicismo - Setembro/2008
Palavra do Sacerdote - Matrimonio
Pergunta — Sou de família católica, e minha intenção sempre foi casar-me na Igreja. Mas todas as minhas amigas já estão separadas, em geral depois do primeiro filho. No civil, o casamento pode ser desfeito pelo divórcio, de maneira cada vez mais fácil. Mas na Igreja, só com um processo de anulação(*) complicado, caro e, segundo me dizem, desagradável. Como pode a Igreja não flexibilizar suas posições diante da situação concreta do mundo atual? Eu quero estar bem com Deus e com a Igreja, mas não acho justo correr o risco de ser abandonada depois do primeiro filho e não poder casar-me de novo. Então parece melhor juntar-me durante algum tempo e só casar depois que der certo. Se der…
Resposta — A descrição que a missivista faz do mundo moderno corresponde, em grande parte, à realidade. E nos lugares onde não se está inteiramente assim, caminha-se a passos rápidos para lá. A perplexidade dessa jovem é até mesmo compreensível, embora não se possa absolutamente aprovar a solução que propõe.
De qualquer modo, sua manifestação de querer “estar bem com Deus e com a Igreja” indica uma boa disposição de fundo de alma, pelo que merece ser especialmente ajudada. É o que procuraremos fazer.
Uma civilização que se afastou de Deus
O mundo moderno tornou-se um organismo doente, precisamente porque se afastou de Deus e da Santa Igreja. A questão é saber se tem cura, se tal cura se daria pelos processos normais.
A resposta é bem definida: cura tem que haver, porque do contrário seria preciso admitir que as portas do inferno prevaleceram definitivamente sobre a Igreja, o que se opõe à promessa formal de Nosso Senhor, quando constituiu São Pedro chefe da Igreja: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
Durante um período mais ou menos longo, as forças do mal podem sobrepujar as forças do bem, conforme se vê hoje em dia. Mas o que não pode acontecer é que essa vitória seja definitiva. O Divino Espírito Santo está continuamente atuando nos corações dos homens a fim de reconduzi-los para as vias do bem.
Entretanto, se essas graças habituais não encontrarem correspondência por parte da humanidade, Deus poderá usar processos extraordinários. Como ocorre com o organismo humano: quando os remédios normais não funcionam, é preciso recorrer a uma cirurgia, ou a outros métodos mais ou menos “invasivos” (segundo a terminologia médica, sóbria mas muito expressiva).
É muito de recear que este seja o caso, porque a humanidade atingiu grau tão intenso de obstinação no mal, que sem uma forte sacudida da Providência não tem mais conserto… Essa sacudida seria um castigo de proporções mundiais, do qual falam diversas revelações privadas, com a de Fátima à frente e acima de todas.
Mas nossa jovem consulente não pode esperar até que Deus intervenha. Ela tem que conduzir sua vida para a frente, tanto mais que ninguém sabe quanto tempo transcorrerá até que se dê essa intervenção extraordinária. O que fazer até lá?
As virgens prudentes e as virgens fátuas
Nos Evangelhos destaca-se a parábola das dez virgens convidadas para uma festa nupcial. Dela se serviu Nosso Senhor para nos indicar que devemos estar constantemente preparados para a sua vinda, porque não sabemos o dia nem a hora:
“Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. Mas cinco delas eram fátuas [isto é, tolas, sem tino, imprevidentes], e cinco prudentes. Ora, as cinco fátuas, tomando as lâmpadas, não levaram óleo consigo; as prudentes, porém, juntamente com as lâmpadas, levaram óleo em seus vasos. E, tardando o esposo, começaram todas a ter sono e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis que vem o esposo, saí ao seu encontro. Então levantaram-se todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as fátuas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Responderam as prudentes, dizendo: Para que não aconteça de faltar óleo a nós e a vós, ide antes aos vendedores e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para celebrar as bodas, e foi fechada a porta. Mais tarde chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos! Mas ele, respondendo, disse: Na verdade vos digo que não vos conheço. — Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25, 1-13).
Segundo os intérpretes da Sagrada Escritura, estar com a lâmpada acesa significa estar na graça de Deus no momento em que formos chamados para comparecer diante d’Ele. E os vasos de óleo de reserva, bem como o largo período de espera, indicam que ao longo da vida devemos nos preparar para esse dia, sobretudo com oração contínua e generosa penitência.
O que é estar na graça de Deus
Estar na graça de Deus supõe andar na linha de seus Dez Mandamentos. No caso concreto que estamos analisando, está particularmente em foco o sexto Mandamento da Lei de Deus, o qual só permite a coabitação do homem e da mulher legitimamente unidos pelo sacramento do Matrimônio. Sendo um dos mandamentos do Decálogo, à Igreja cumpre zelar pela sua observância, e não derrogá-lo ou sequer “flexibilizá-lo”, quaisquer que sejam as vicissitudes dos tempos. Nem o Papa pode fazê-lo.
Por isso, a solução aventada pela jovem consulente — de coabitação a título experimental — não pode ser aceita, por ser gravemente pecaminosa.
Que fazer, então, para evitar o risco de um casamento frustrado pelo desentendimento do casal?
Conspiração do mundo moderno contra a moral
A parábola das dez virgens ressalta a importância da preparação ao longo da vida para o momento supremo da chegada de Jesus Cristo. Este princípio se aplica também à preparação para o casamento, para que ele seja do agrado de Deus e por Ele abençoado.
É preciso reconhecer que os jovens de nossos dias são induzidos por grande número de instituições do mundo moderno num sentido contrário aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Nesta matéria, é particularmente espantoso o que se propõe aos jovens nas novelas da TV. Não há comportamento imoral que não seja exaltado, não há comportamento virtuoso que não seja ridicularizado. Daí, por exemplo, o aumento vertiginoso de gravidezes de meninas de quinze anos, e até de onze anos!
E não só os meios de comunicação social estão empenhados em promover essa depravação. Até nas escolas a chamada educação sexual é orientada nesse sentido, a ponto de promover-se a distribuição gratuita de preservativos por organismos oficiais.
Nestas condições, como esperar que os casamentos dêem certo?
Os jovens que queiram ser fiéis aos princípios da Religião católica têm que ter a coragem heróica de enfrentar, e até mesmo romper com esse ambiente hostil. Mais do que tudo com a roda de amigos, em que “fica feio” não ser como os outros. Repudiar qualquer pusilanimidade e covardia.
Não é nas baladas que se encontra marido fiel
Sejamos bem concretos. Se o jovem ou a jovem se deixam arrastar pelo grupo de amigos — pela “galera”, como dizem — e vai a excursões, “baladas”, etc., não é aí que encontrará o marido ou a esposa que lhe seja fiel. O mais provável é exatamente que o casamento não dure um ano, quiçá nem mesmo o tempo para nascer o primeiro filho!
Diante desta situação, não cabe pleitear que a Igreja “flexibilize” suas leis para aceitar a coabitação pré-matrimonial, o divórcio, o recasamento, etc. Mesmo porque o final do caminho dessa “flexibilização” seria a aceitação do amor livre, há muito tempo preconizado pelas escolas freudianas, marxistas e anarquistas, todas elas atéias. A Santa Igreja não vacilou diante da perda de toda a Inglaterra, ao contrariar essas mesmas pretensões de Henrique VIII. Surgiu um São Tomás Morus.
A jovem missivista não se iluda: a felicidade não se encontra em dar vazão a todos os reclamos dos sentidos, mas na ascese, isto é, no refreamento dos instintos desordenados que deixou em nossa alma o pecado original, herdado de Adão e Eva, que desobedeceram a Deus nos primórdios do gênero humano.
Assim fazendo, e recorrendo a Deus em suas orações — por meio de Nossa Senhora, nossa Mãe amorosíssima, como recomenda a Igreja —, pode estar certa de que seus pedidos serão ouvidos e encontrará um esposo que lhe seja fiel por toda a vida.
E se quiser dar um sentido ainda mais elevado à sua vida, una-se à ação de outros jovens que resistem à avalanche pagã e infernal do mundo moderno, para reconduzi-lo às vias benditas da Civilização Cristã, onde os princípios de Nosso Senhor Jesus Cristo não precisam ser “flexibilizados”; antes, pelo contrário, aí eles são seguidos com todo o rigor e com todo o amor.
Revista Catolicismo - Setembro/2008
Resposta — A descrição que a missivista faz do mundo moderno corresponde, em grande parte, à realidade. E nos lugares onde não se está inteiramente assim, caminha-se a passos rápidos para lá. A perplexidade dessa jovem é até mesmo compreensível, embora não se possa absolutamente aprovar a solução que propõe.
De qualquer modo, sua manifestação de querer “estar bem com Deus e com a Igreja” indica uma boa disposição de fundo de alma, pelo que merece ser especialmente ajudada. É o que procuraremos fazer.
Uma civilização que se afastou de Deus
O mundo moderno tornou-se um organismo doente, precisamente porque se afastou de Deus e da Santa Igreja. A questão é saber se tem cura, se tal cura se daria pelos processos normais.
A resposta é bem definida: cura tem que haver, porque do contrário seria preciso admitir que as portas do inferno prevaleceram definitivamente sobre a Igreja, o que se opõe à promessa formal de Nosso Senhor, quando constituiu São Pedro chefe da Igreja: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
Durante um período mais ou menos longo, as forças do mal podem sobrepujar as forças do bem, conforme se vê hoje em dia. Mas o que não pode acontecer é que essa vitória seja definitiva. O Divino Espírito Santo está continuamente atuando nos corações dos homens a fim de reconduzi-los para as vias do bem.
Entretanto, se essas graças habituais não encontrarem correspondência por parte da humanidade, Deus poderá usar processos extraordinários. Como ocorre com o organismo humano: quando os remédios normais não funcionam, é preciso recorrer a uma cirurgia, ou a outros métodos mais ou menos “invasivos” (segundo a terminologia médica, sóbria mas muito expressiva).
É muito de recear que este seja o caso, porque a humanidade atingiu grau tão intenso de obstinação no mal, que sem uma forte sacudida da Providência não tem mais conserto… Essa sacudida seria um castigo de proporções mundiais, do qual falam diversas revelações privadas, com a de Fátima à frente e acima de todas.
Mas nossa jovem consulente não pode esperar até que Deus intervenha. Ela tem que conduzir sua vida para a frente, tanto mais que ninguém sabe quanto tempo transcorrerá até que se dê essa intervenção extraordinária. O que fazer até lá?
As virgens prudentes e as virgens fátuas
Nos Evangelhos destaca-se a parábola das dez virgens convidadas para uma festa nupcial. Dela se serviu Nosso Senhor para nos indicar que devemos estar constantemente preparados para a sua vinda, porque não sabemos o dia nem a hora:
“Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. Mas cinco delas eram fátuas [isto é, tolas, sem tino, imprevidentes], e cinco prudentes. Ora, as cinco fátuas, tomando as lâmpadas, não levaram óleo consigo; as prudentes, porém, juntamente com as lâmpadas, levaram óleo em seus vasos. E, tardando o esposo, começaram todas a ter sono e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis que vem o esposo, saí ao seu encontro. Então levantaram-se todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as fátuas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Responderam as prudentes, dizendo: Para que não aconteça de faltar óleo a nós e a vós, ide antes aos vendedores e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para celebrar as bodas, e foi fechada a porta. Mais tarde chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos! Mas ele, respondendo, disse: Na verdade vos digo que não vos conheço. — Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25, 1-13).
Segundo os intérpretes da Sagrada Escritura, estar com a lâmpada acesa significa estar na graça de Deus no momento em que formos chamados para comparecer diante d’Ele. E os vasos de óleo de reserva, bem como o largo período de espera, indicam que ao longo da vida devemos nos preparar para esse dia, sobretudo com oração contínua e generosa penitência.
O que é estar na graça de Deus
Estar na graça de Deus supõe andar na linha de seus Dez Mandamentos. No caso concreto que estamos analisando, está particularmente em foco o sexto Mandamento da Lei de Deus, o qual só permite a coabitação do homem e da mulher legitimamente unidos pelo sacramento do Matrimônio. Sendo um dos mandamentos do Decálogo, à Igreja cumpre zelar pela sua observância, e não derrogá-lo ou sequer “flexibilizá-lo”, quaisquer que sejam as vicissitudes dos tempos. Nem o Papa pode fazê-lo.
Por isso, a solução aventada pela jovem consulente — de coabitação a título experimental — não pode ser aceita, por ser gravemente pecaminosa.
Que fazer, então, para evitar o risco de um casamento frustrado pelo desentendimento do casal?
Conspiração do mundo moderno contra a moral
A parábola das dez virgens ressalta a importância da preparação ao longo da vida para o momento supremo da chegada de Jesus Cristo. Este princípio se aplica também à preparação para o casamento, para que ele seja do agrado de Deus e por Ele abençoado.
É preciso reconhecer que os jovens de nossos dias são induzidos por grande número de instituições do mundo moderno num sentido contrário aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Nesta matéria, é particularmente espantoso o que se propõe aos jovens nas novelas da TV. Não há comportamento imoral que não seja exaltado, não há comportamento virtuoso que não seja ridicularizado. Daí, por exemplo, o aumento vertiginoso de gravidezes de meninas de quinze anos, e até de onze anos!
E não só os meios de comunicação social estão empenhados em promover essa depravação. Até nas escolas a chamada educação sexual é orientada nesse sentido, a ponto de promover-se a distribuição gratuita de preservativos por organismos oficiais.
Nestas condições, como esperar que os casamentos dêem certo?
Os jovens que queiram ser fiéis aos princípios da Religião católica têm que ter a coragem heróica de enfrentar, e até mesmo romper com esse ambiente hostil. Mais do que tudo com a roda de amigos, em que “fica feio” não ser como os outros. Repudiar qualquer pusilanimidade e covardia.
Não é nas baladas que se encontra marido fiel
Sejamos bem concretos. Se o jovem ou a jovem se deixam arrastar pelo grupo de amigos — pela “galera”, como dizem — e vai a excursões, “baladas”, etc., não é aí que encontrará o marido ou a esposa que lhe seja fiel. O mais provável é exatamente que o casamento não dure um ano, quiçá nem mesmo o tempo para nascer o primeiro filho!
Diante desta situação, não cabe pleitear que a Igreja “flexibilize” suas leis para aceitar a coabitação pré-matrimonial, o divórcio, o recasamento, etc. Mesmo porque o final do caminho dessa “flexibilização” seria a aceitação do amor livre, há muito tempo preconizado pelas escolas freudianas, marxistas e anarquistas, todas elas atéias. A Santa Igreja não vacilou diante da perda de toda a Inglaterra, ao contrariar essas mesmas pretensões de Henrique VIII. Surgiu um São Tomás Morus.
A jovem missivista não se iluda: a felicidade não se encontra em dar vazão a todos os reclamos dos sentidos, mas na ascese, isto é, no refreamento dos instintos desordenados que deixou em nossa alma o pecado original, herdado de Adão e Eva, que desobedeceram a Deus nos primórdios do gênero humano.
Assim fazendo, e recorrendo a Deus em suas orações — por meio de Nossa Senhora, nossa Mãe amorosíssima, como recomenda a Igreja —, pode estar certa de que seus pedidos serão ouvidos e encontrará um esposo que lhe seja fiel por toda a vida.
E se quiser dar um sentido ainda mais elevado à sua vida, una-se à ação de outros jovens que resistem à avalanche pagã e infernal do mundo moderno, para reconduzi-lo às vias benditas da Civilização Cristã, onde os princípios de Nosso Senhor Jesus Cristo não precisam ser “flexibilizados”; antes, pelo contrário, aí eles são seguidos com todo o rigor e com todo o amor.
Revista Catolicismo - Setembro/2008
sábado, 30 de agosto de 2008
"Morreu, acabou. Nao existe nada depois da morte".
Pergunta — “Morreu, acabou. Não existe nada depois da morte” — Quantas vezes já ouvi esta frase! Muitos não a dizem, mas pensam assim, e conduzem a vida dessa maneira. E suas decisões exprimem esse pensamento. Um octogenário recentemente falecido declarou que não queria ser enterrado, mas cremado, e que suas cinzas fossem espalhadas no clube que freqüentava. Ficou claro para seus familiares que a razão era essa: com a morte tudo terminava, e nada mais havia a fazer senão a dispersão das suas cinzas. Na cabeça de muitas pessoas esvoaça essa dúvida: que provas há da existência de uma vida futura? Nunca ninguém voltou para contar…
Resposta — Se tudo termina com a dispersão das cinzas nos canteiros de um clube, se tudo termina na dissolução do ser humano no nada, é forçoso reconhecer que a vida humana não tem sentido. E seria pura fantasia aquela apetência do Ser Absoluto, que Santo Agostinho coloca no fundo do coração humano: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Vós”.
Que provas há de que existe algo para além da morte?
Começaremos por dar a reposta para os que têm fé. Em seguida nos dirigiremos aos incréus, pois o missivista evidentemente quer uma resposta para este gênero de gente. Insistimos, de antemão, no que temos várias vezes repetido: devemos ter fé e dar adesão intelectual à Palavra de Cristo, de acordo com Santo Tomás de Aquino.
“Eu sou a ressurreição e a vida”
Para os que têm fé, basta lembrar que a ressurreição dos mortos e a vida eterna são objeto dos dois últimos artigos do Credo: creio “na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém”.
São dois pontos claríssimos da pregação, e mesmo do agir de Nosso Senhor Jesus Cristo, como se vê no episódio da ressurreição de Lázaro, narrado no Evangelho de São João (11, 1-53): tendo Lázaro adoecido, suas irmãs Marta e Maria apressaram-se em avisar o Divino Mestre. Este, porém, deixou-se ficar mais dois dias no lugar em que estava, sabendo bem o que ia acontecer e o que iria fazer. Assim, quando chegou a Betânia, fazia quatro dias que Lázaro tinha falecido. Marta acorreu ao seu encontro e disse-lhe:
“Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também sei agora que tudo que pedires a Deus, Deus te concederá.
“Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.
“Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto?
“Ela disse-lhe: Sim, eu creio que tu és o Cristo, Filho de Deus vivo, que vieste a este mundo” (vv. 21-27).
Em seguida repete-se a cena com a chegada de Maria, avisada por Marta. Jesus se comove, chora, dirige-se ao sepulcro e diz:
“Tirai a pedra.
“Disse-lhe Marta, irmã do defunto: Senhor, ele já cheira mal, porque já está aí há quatro dias.
“Disse-lhe Jesus: Não te disse eu que, se tu creres, verás a glória de Deus?
“Tiraram, pois, a pedra; e Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, dou-te graças porque me tens ouvido. Eu bem sabia que me ouves sempre, mas falei assim por causa do povo que está em volta de mim, para que creiam que tu me enviaste.
“Tendo dito estas palavras, bradou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
“E imediatamente saiu o que estivera morto […]. Então, muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria e Marta, e que tinham presenciado o que Jesus fizera, creram nele” (vv. 39-45).
Segundo todos os intérpretes da Sagrada Escritura, a ressurreição de Lázaro — um morto de quatro dias! — era uma prova que Jesus queria dar de que Deus tem o poder de ressuscitar todos os homens no último dia.
A ressurreição dos mortos e a vida eterna são, pois, dois pontos perfeitamente estabelecidos da doutrina católica, e historicamente arquicomprovados.
Que sentido tem a vida presente?
Porém, nestes tempos de ateísmo e neopaganismo teórico e prático, convém apresentar provas também para aqueles que fecharam seus corações à palavra divina. E as perguntas que se põem naturalmente, para um espírito sensato, são estas:
— Que sentido tem a vida presente se, com a morte, o ser humano se dissolve no nada?
— Que sentido tem falar em aspectos morais de nossos atos se, por praticarmos o bem não seremos recompensados, e se fizermos o mal não seremos punidos?
É forçoso que a vida tenha sentido
No universo há uma ordem admirabilíssima. O mundo físico é tão ordenado, que os cientistas descobriram que ele é regido por leis requintadamente matemáticas. E a tal ponto que milhares de cientistas do mundo todo buscam há um século, afanosamente, reduzir todas as forças da natureza a uma só expressão matemática.
Ora, se há uma ordem, tudo no universo tem o seu posto, sua função, sua explicação, e sobretudo finalidade. Só a vida humana, que é o elemento mais alto sobre o universo, não teria sentido?
Esse sentimento é tão profundo na humanidade, que muitos buscam explicações em doutrinas fantasiosas. No começo — dizem — havia um ser único, que vivia na tranqüilidade, na harmonia interna e na mais perfeita felicidade. Não se sabe como nem por quê, produziu-se no interior desse ser uma cisão, que provocou uma explosão, originando-se daí a multiplicidade dos seres. Mas misteriosas forças cósmicas procuram restabelecer a unidade primitiva, o que acontecerá quando todos os seres se reintegrarem nesse “deus” primitivo, dissolvendo-se nele.
Aqui está — segundo esse pensamento — o que se passa com o homem quando morre: ele não se dissolve no nada, mas reintegra-se nesse ser único que reabsorve em si todos os seres. É o que constitui o fundo das doutrinas gnósticas e panteístas (tudo é deus).
Doutrinas, como se vê, fantasiosas, para não dizer monstruosas, mas que mostram como o homem tem necessidade de buscar uma explicação insofismável para o sentido da vida. Esse sentido só nos é dado pela idéia de um Deus criador — verdade que está inteiramente de acordo com a razão, ao contrário dessas fantasias.
É forçoso que a justiça seja feita
Por fim, a questão da justiça.
É evidente que a justiça nesta Terra é tremendamente falha; freqüentemente triunfam os maus, e os bons não são reconhecidos.
O mundo todo tem sido sacudido ultimamente por crimes tão hediondos, que a justiça humana não dá conta na tarefa de punir. E mesmo que punisse os criminosos, que por sua vez tornam-se até ídolos, nada reintegraria nos seus direitos as vítimas imoladas.
Se não há uma Justiça superior, que castigue na devida proporção o crime cometido e restabeleça as vítimas na integridade do seu ser, nada tem sentido nesta vida.
É uma prova de que a existência de Deus é necessária.
E esse Deus, infinitamente misericordioso e justo, é também infinitamente poderoso para ressuscitar os mortos no último dia e dar-lhes um destino eterno, que será a sua justíssima recompensa.
Portanto, nada termina com a morte, mas tudo recomeça com uma vida eternamente feliz para os bons, e eternamente infeliz para os maus.
Perspectivas tremendas, que nos devem fazer encarar a vida presente com profundíssima seriedade. Não fechemos os olhos para o que se passará depois do umbral da morte!
Se temos dificuldade em olhar de frente essa realidade, e tirar dela todas as conseqüências, peçamos o auxílio da Santíssima Virgem, que Ela nos tornará indiscutivelmente amena e esperançosa essa perspectiva. Te Deum laudamus!
Resposta — Se tudo termina com a dispersão das cinzas nos canteiros de um clube, se tudo termina na dissolução do ser humano no nada, é forçoso reconhecer que a vida humana não tem sentido. E seria pura fantasia aquela apetência do Ser Absoluto, que Santo Agostinho coloca no fundo do coração humano: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Vós”.
Que provas há de que existe algo para além da morte?
Começaremos por dar a reposta para os que têm fé. Em seguida nos dirigiremos aos incréus, pois o missivista evidentemente quer uma resposta para este gênero de gente. Insistimos, de antemão, no que temos várias vezes repetido: devemos ter fé e dar adesão intelectual à Palavra de Cristo, de acordo com Santo Tomás de Aquino.
“Eu sou a ressurreição e a vida”
Para os que têm fé, basta lembrar que a ressurreição dos mortos e a vida eterna são objeto dos dois últimos artigos do Credo: creio “na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém”.
São dois pontos claríssimos da pregação, e mesmo do agir de Nosso Senhor Jesus Cristo, como se vê no episódio da ressurreição de Lázaro, narrado no Evangelho de São João (11, 1-53): tendo Lázaro adoecido, suas irmãs Marta e Maria apressaram-se em avisar o Divino Mestre. Este, porém, deixou-se ficar mais dois dias no lugar em que estava, sabendo bem o que ia acontecer e o que iria fazer. Assim, quando chegou a Betânia, fazia quatro dias que Lázaro tinha falecido. Marta acorreu ao seu encontro e disse-lhe:
“Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também sei agora que tudo que pedires a Deus, Deus te concederá.
“Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.
“Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto?
“Ela disse-lhe: Sim, eu creio que tu és o Cristo, Filho de Deus vivo, que vieste a este mundo” (vv. 21-27).
Em seguida repete-se a cena com a chegada de Maria, avisada por Marta. Jesus se comove, chora, dirige-se ao sepulcro e diz:
“Tirai a pedra.
“Disse-lhe Marta, irmã do defunto: Senhor, ele já cheira mal, porque já está aí há quatro dias.
“Disse-lhe Jesus: Não te disse eu que, se tu creres, verás a glória de Deus?
“Tiraram, pois, a pedra; e Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, dou-te graças porque me tens ouvido. Eu bem sabia que me ouves sempre, mas falei assim por causa do povo que está em volta de mim, para que creiam que tu me enviaste.
“Tendo dito estas palavras, bradou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
“E imediatamente saiu o que estivera morto […]. Então, muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria e Marta, e que tinham presenciado o que Jesus fizera, creram nele” (vv. 39-45).
Segundo todos os intérpretes da Sagrada Escritura, a ressurreição de Lázaro — um morto de quatro dias! — era uma prova que Jesus queria dar de que Deus tem o poder de ressuscitar todos os homens no último dia.
A ressurreição dos mortos e a vida eterna são, pois, dois pontos perfeitamente estabelecidos da doutrina católica, e historicamente arquicomprovados.
Que sentido tem a vida presente?
Porém, nestes tempos de ateísmo e neopaganismo teórico e prático, convém apresentar provas também para aqueles que fecharam seus corações à palavra divina. E as perguntas que se põem naturalmente, para um espírito sensato, são estas:
— Que sentido tem a vida presente se, com a morte, o ser humano se dissolve no nada?
— Que sentido tem falar em aspectos morais de nossos atos se, por praticarmos o bem não seremos recompensados, e se fizermos o mal não seremos punidos?
É forçoso que a vida tenha sentido
No universo há uma ordem admirabilíssima. O mundo físico é tão ordenado, que os cientistas descobriram que ele é regido por leis requintadamente matemáticas. E a tal ponto que milhares de cientistas do mundo todo buscam há um século, afanosamente, reduzir todas as forças da natureza a uma só expressão matemática.
Ora, se há uma ordem, tudo no universo tem o seu posto, sua função, sua explicação, e sobretudo finalidade. Só a vida humana, que é o elemento mais alto sobre o universo, não teria sentido?
Esse sentimento é tão profundo na humanidade, que muitos buscam explicações em doutrinas fantasiosas. No começo — dizem — havia um ser único, que vivia na tranqüilidade, na harmonia interna e na mais perfeita felicidade. Não se sabe como nem por quê, produziu-se no interior desse ser uma cisão, que provocou uma explosão, originando-se daí a multiplicidade dos seres. Mas misteriosas forças cósmicas procuram restabelecer a unidade primitiva, o que acontecerá quando todos os seres se reintegrarem nesse “deus” primitivo, dissolvendo-se nele.
Aqui está — segundo esse pensamento — o que se passa com o homem quando morre: ele não se dissolve no nada, mas reintegra-se nesse ser único que reabsorve em si todos os seres. É o que constitui o fundo das doutrinas gnósticas e panteístas (tudo é deus).
Doutrinas, como se vê, fantasiosas, para não dizer monstruosas, mas que mostram como o homem tem necessidade de buscar uma explicação insofismável para o sentido da vida. Esse sentido só nos é dado pela idéia de um Deus criador — verdade que está inteiramente de acordo com a razão, ao contrário dessas fantasias.
É forçoso que a justiça seja feita
Por fim, a questão da justiça.
É evidente que a justiça nesta Terra é tremendamente falha; freqüentemente triunfam os maus, e os bons não são reconhecidos.
O mundo todo tem sido sacudido ultimamente por crimes tão hediondos, que a justiça humana não dá conta na tarefa de punir. E mesmo que punisse os criminosos, que por sua vez tornam-se até ídolos, nada reintegraria nos seus direitos as vítimas imoladas.
Se não há uma Justiça superior, que castigue na devida proporção o crime cometido e restabeleça as vítimas na integridade do seu ser, nada tem sentido nesta vida.
É uma prova de que a existência de Deus é necessária.
E esse Deus, infinitamente misericordioso e justo, é também infinitamente poderoso para ressuscitar os mortos no último dia e dar-lhes um destino eterno, que será a sua justíssima recompensa.
Portanto, nada termina com a morte, mas tudo recomeça com uma vida eternamente feliz para os bons, e eternamente infeliz para os maus.
Perspectivas tremendas, que nos devem fazer encarar a vida presente com profundíssima seriedade. Não fechemos os olhos para o que se passará depois do umbral da morte!
Se temos dificuldade em olhar de frente essa realidade, e tirar dela todas as conseqüências, peçamos o auxílio da Santíssima Virgem, que Ela nos tornará indiscutivelmente amena e esperançosa essa perspectiva. Te Deum laudamus!
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